31 janeiro 2012

Sete palmos debaixo do céu & o amor à distância entre Vida e Literatura

.“Quando eu vivo não me sinto viver. Mas quando escrevo é aí que me sinto existir” – Artaud. A Literatura sempre falta ao encontro no qual a Vida comparece. Então combina novas datas, às quais também faltará. Inventar novas datas de encontro com a Vida é ofício da escrita. Literatura e Vida namoram à distância; um amor cheio de deslizamentos, de traições. As letras das cartas que trocam são cicatrizes em movimento. Se um dia se encontrassem, Literatura e Vida se confundiriam ao ponto de tudo se tornar bio-grafia de imaginações. Espera, até que a esperança traga teu luto de volta. “Eu jamais escrevi uma linha que não tivesse a ver com minha existência” – Celan. Quando eu chegar a este ponto radical, não estarei mais com a mão sobre a página, mas sobre a tua pele, Vida.

lontra hiperbórea