De muito ver os seres à sua verdadeira luz é que, mais cedo
ou mais tarde, se sente ganas de os largar. A lucidez é um exílio construído,
uma porta de socorro, o vestiário da inteligência. E é também uma doença que
nos leva á solidão.
Jovem, vivia entre os homens. Hoje só remotamente me
preocupam. Idos são o tempo que tremia pelo fervor da revolução, que
convictamente sentia que, por ser, verbo dissonante, razão tinha em declarar, a
incoerência espectral desta humanidade oclusa em si que já via despontar. Nunca
pensei que só poderia ter espaço nos círculos líricos da vida social, pois tudo
o que se constrói, parte da esfera nuclear, para se expandir, e assim recriar
uma inter- dinâmica social, para se redefinir neste sujeito do novo século não
como banalidade produtiva, mas homem versus homem.
Hoje, confesso que a inocuidade humana me entrega a
convulsos tempos devolutos, e não sei que nome.
luisa mota