Agora a arte literária vai directamente á casa do
consumidor. É um exílio de compromisso entre as “book shops” e o top de vendas.
Inventa-se uma romântica transcendência de ímpetos amorosos que já ninguém têm,
mas é suposto ter, transcreve-se ditames contestatários de filho querido dos
prostrados, dos vencidos, dos desenraizados, dos que lustram o punho no fundo
do bolso á espera de melhores dias. É bom que os poetas façam da partida um
“dogma”. Sempre se acaba por encontrar um neófito. A religião da partida é,
para os que ficam, um “transfer”que faz do ídolo e seu adorador dois cúmplices.
A cólera figurada e escrita, de um, confunde-se com a cólera latente e do
outro. Isso dá origem a uma cadeia de fidelidade cuja última malha se vai
prender ao Panteão, num exílio funerário de primeira ordem, um exílio gravado.
Conheço quem viva e esteja mergulhado no homem até ao pescoço.
luisa mota