30 abril 2012

a arte literária vai directamente á casa


Agora a arte literária vai directamente á casa do consumidor. É um exílio de compromisso entre as “book shops” e o top de vendas. Inventa-se uma romântica transcendência de ímpetos amorosos que já ninguém têm, mas é suposto ter, transcreve-se ditames contestatários de filho querido dos prostrados, dos vencidos, dos desenraizados, dos que lustram o punho no fundo do bolso á espera de melhores dias. É bom que os poetas façam da partida um “dogma”. Sempre se acaba por encontrar um neófito. A religião da partida é, para os que ficam, um “transfer”que faz do ídolo e seu adorador dois cúmplices. A cólera figurada e escrita, de um, confunde-se com a cólera latente e do outro. Isso dá origem a uma cadeia de fidelidade cuja última malha se vai prender ao Panteão, num exílio funerário de primeira ordem, um exílio gravado. Conheço quem viva e esteja mergulhado no homem até ao pescoço.

luisa mota