Proponho-me na minha moral não definida, uma moral
não-euclidiana. O caminho mais curto de uma piedade a outra, não é uma recta
mas um desvio ultra dimensional. A mim interessa-me opor ao vosso “sim” um
“não” tutela do meu eu. Tenho que ter a minha medida exacta de “não”. É muito
minha esta recusa, não há partilha. Poderia, numa qualidade de artista, tentar
a persuasão. No entanto, não pretendo fazer parte de agendas de telemóveis. Não
faço parte dos vossos conhecimentos. Quando me encontro, evito-me, a tal ponto
tenho medo de vos reconhecer. Tenho receio da “contaminação” das vossas
concepções instituídas de “correctas”. Acho que, agora, já nem mesmo a Revolta
é aceitável. A Revolta é uma maneira simples de regressar á Cidade. É uma
virtude tribal, uma arma defensiva. É uma negação de complacência. Tenho em
mim, a consciência que alimento o Desprezo, que nem as minhas palavras escritas
ou ditas merecem o tão horrendo espaço das vossas prosaicas e mercantilistas
vidinhas. A Revolta, tal como o Desespero, é uma forma superior de Critica, mas
uma critica silenciosa, informal, dirão talvez, no vocabulário de geómetras do
saber, televisionado ou melhor, supervisionado, - sim, informal e monstruosa,
por isso não a exibo.
Luisa Mota