Está a mover-se a indústria da minha intuição:
a menina que fui vai feliz três metros à minha frente
tangendo com uma vara a minha alma.
Está a precipitar-se a lentidão:
sobrevoo com paciência
uma ave rapaz
até que descendo e
está-se-me a acabar de fabricar
seda artesanal
no ventre.
Estão os meus sonhos a organizar o comité da noite
Estão as criaturas a mover as roldanas do cometa
que passa por nós de mil em mil anos.
Está a geometria a acomodar-se para dormir
no teu último ângulo
Todo o mundo sabe já
que o meu coração está feito pelo patrão da maquinaria
agrícola.
E posso
arrancar-me de mim
tão suavemente
que apenas ouvirias que vou sair.
As minhas cicatrizes falam
como um furacão mudo.
Saio ao perigo como à chuva
escoltada pelos meus órgãos.
Tudo isto sei
olga novo
olga novo