Nada existe sem nome. Para lá das crispadas manhãs de
Novembro, penso na modorra dos estios. Em plenos sóis de geada da minha alma
entorpecida, suo mais que no deserto.
A minha alma, a tua alma.
Se não posso dar nome, morro. Lágrimas? Do funeral das
palavras? Para quê? Nasci com uma metáfora na boca. Toda a minha infame
existência mesmo na tela da infância, vivia da palavra, feita drama.
Consequente ou inconsequente. Criança, bebia metafísica do mamilo da minha mãe.
Leite, diriam outros… falemos desse sumo iniciático. No princípio, era o leite.
Eu, fico-me pelo ceptro, pelos molhos que espalho pela vida, pelo suor delicado
que ainda hoje exalo, quando me respiro.
Tenho os poros abertos quando penetro no mundo dos
obscuros, no mundo dos que vivem na margem de tudo e mais alguma coisa. Vivo
múltipla. Morro una.
luísa mota