04 julho 2012

No thanx

A monotonia é o sentimento angustiante de uma perpetuidade sem mudança nem horizonte de mudança. Uma linha reta sem fim nem desvios. Do inútil de todo esforço diante do imutável, pois, não há mudanças, só alterações de posições no plano – nunca a alteração do plano em si. Do taedium vitae, resgatado pelo Renascimento (que releu o De divinatione Somnium de Aristóteles) ficamos sabendo que alguns foram de fato predestinados por Saturno à melancolia e ao sonho profético, porém, nossa época descarta este lado divinatório com o uso de remédios, de modo que nos sobra dele apenas o esgotamento, a partir do qual as massas cansadas são facilmente seduzidas pelo fascismo, ou por qualquer “ismo” que prometa a destruição completa, a limpeza fatal dos lança-chamas. Nosso tempo é tardio e sombrio, dependente da salvação efetuada pela psicanálise através da palavra. A apatia colore de inutilidade todo empreendimento, fazendo-nos temer a própria atemporalidade paradisíaca. Todo esforço é então inútil? Caillois defende que não, pois até Sísifo ganhava algo. O quê? Músculos. A pergunta é: músculos para continuar a empurrar a pedra? Muito obrigado pela ginástica laboral. A monotonia pode ser tanto um esquilo girando em sua gaiola quanto um planeta girando em torno de si mesmo.