A monotonia é o sentimento angustiante de uma perpetuidade sem
mudança nem horizonte de mudança. Uma linha reta sem fim nem desvios. Do
inútil de todo esforço diante do imutável, pois, não há mudanças, só
alterações de posições no plano – nunca a alteração do plano em si. Do taedium vitae, resgatado pelo Renascimento (que releu o De divinatione Somnium de
Aristóteles) ficamos sabendo que alguns foram de fato predestinados por
Saturno à melancolia e ao sonho profético, porém, nossa época descarta
este lado divinatório com o uso de remédios, de modo que nos sobra dele
apenas o esgotamento, a partir do qual as massas cansadas são facilmente
seduzidas pelo fascismo, ou por qualquer “ismo” que prometa a
destruição completa, a limpeza fatal dos lança-chamas. Nosso tempo é
tardio e sombrio, dependente da salvação efetuada pela psicanálise
através da palavra. A apatia colore de inutilidade todo empreendimento,
fazendo-nos temer a própria atemporalidade paradisíaca. Todo
esforço é então inútil? Caillois defende que não, pois até Sísifo
ganhava algo. O quê? Músculos. A pergunta é: músculos para continuar a empurrar a pedra? Muito obrigado pela ginástica laboral. A monotonia pode ser tanto um esquilo girando em sua gaiola quanto um planeta girando em torno de si mesmo.