21 agosto 2012

Eu sou deus, Eu estou morto

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Ninguém sabe onde estão os mortos, embora toda a Humanidade calcule a inércia de morrer. Mas onde estão os vivos? Saberá a Humanidade onde estão os vivos?
Quando morrer serei objecto de análise. Jamais algum Homem poderá sentir o que eu sinto, conforme vagueio na calçada de uma vida que me revela um céu que não é o azul do céu. E o coração do Homem palpita desassossegadamente aquando a presença de sentimentos que lhe são alheios. Irão analisar-se as emoções que eu criei para não sentir o que sente a Humanidade. Irão violar-me o interior mesmo que interiormente eu já esteja morto. No fundo, sempre o estive.

Sou um devaneio de deus. E deus também já está morto. Eu sou deus. E tenho em mim todas as crenças em que não acredito. Neste pensamento nefasto tento fugir de mim mesmo, porque eu mesmo sou o meu maior inimigo. Odeio o que sou, porque sempre o quis ser. Sou um corpo vazio como todos os outros. Mas sinto. E eles não.

O Homem chora as lágrimas que não são suas. Eu choro as lágrimas que não são do Homem. São, desesperadamente, só minhas.

Os vivos e os mortos estão dentro de mim.