21 outubro 2012

Calcário


da epiderme pálido-dourada ressequida impregnada em mim, de você. quero-me caracolear arrastando tempo caso suporte, em renovada carcaça. vejo camaleão quando posso enxergar-te, quando não absorvido na paisagem, até nem. e suas roupagens multiflex. multi face ta. da face mostra-me o entrecanto, curvatura média em contornos noturnos rígidos à ponta pontiaguda do nariz - sua máxima envergadura. boca que enruga palavra - encurvada, contraída. sugando-se corpo integral do que a boca é corpo, não fosse saliva-seiva nas bordas do beijo que invado letárgica numa investigação do que em você ainda é possível. recolhendo lábios feito colhedor de névoa, em espécie de congelamento gradual. na noite. impregnado de chumbo, metal pesado e outras reminiscências. permanente absorção contínua, boca-a-boca. e tudo que a tua mesma sangue-sugueia. da minha, alimentando-se. envenenando-me. continuo dilacerando lábios carnívoros que não cessam em encerrar-se corcundeando. embicando feito pássaro, acostumado à vertigem de viver em outro plano, entre rasantes e quadrantes aéreos. somos amantes de pedra, com características de caramujo - calcarizados, camuflados de gente.  

Joana Corona