da
epiderme pálido-dourada ressequida impregnada em mim, de você. quero-me
caracolear arrastando tempo caso suporte, em renovada
carcaça. vejo camaleão
quando posso enxergar-te, quando não absorvido na paisagem, até nem. e
suas roupagens multiflex. multi face ta. da face mostra-me o entrecanto,
curvatura média em contornos noturnos rígidos à ponta pontiaguda do
nariz -
sua máxima envergadura.
boca que enruga palavra - encurvada, contraída. sugando-se corpo
integral do que a boca é corpo, não fosse saliva-seiva nas bordas do
beijo que invado letárgica numa investigação do que em você ainda é
possível.
recolhendo lábios feito colhedor de névoa,
em espécie de congelamento gradual. na noite. impregnado de chumbo,
metal pesado e outras reminiscências. permanente absorção contínua,
boca-a-boca. e tudo que a tua mesma sangue-sugueia. da
minha, alimentando-se.
envenenando-me. continuo dilacerando lábios carnívoros que não cessam em
encerrar-se corcundeando. embicando feito pássaro, acostumado à
vertigem de viver em outro plano, entre rasantes e quadrantes aéreos.
somos amantes
de pedra, com
características de caramujo - calcarizados, camuflados de gente.
Joana Corona